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Exposição, bazar e oficinas de bordado

23 de June de 2015

painel

No dia 4 de julho, das 9h às 18h, serão realizadas atividades ligadas ao universo do bordado, na quadra da Escola Brincar (Rua Urucuia, n°62, Bairro Floresta). Além de exposição de bordados e de demais produtos artesanais para venda, também haverá oficinas. Na ocasião, o projeto Mãos que Bordam apresentará o painel que está sendo construído desde novembro de 2014 por bordadeiras(os) de todo o país.

O grupo começou a se articular durante o 1º Seminário Nacional do Bordado promovido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) quando a pedagoga e professora de bordado Fátima Coelho foi convidada a palestrar no evento. Com o tema O Bordado e suas Histórias, o intuito foi reunir as práticas e expressões artísticas feitas com agulha e linha sobre o tecido, as pesquisas desenvolvidas sobre essa atividade e as histórias que envolvem e encantam a vida de quem borda.

“Convidei as minhas alunas a bordarem as mãos, com símbolos que remetessem às suas respectivas histórias de vida, e levei o material para apresentar no Seminário. Na oportunidade lancei a ideia de unirmos todas as pessoas que amam o bordado, como uma forma de expressar os sentimentos e emoções por meio das mãos e estimular essa prática”, explica Fátima, que começou a bordar por acaso (Segue relato abaixo).

Desde que o projeto foi lançado, mais de 100 bordadeiras(os) de todos os cantos do Brasil já enviaram as mãos bordadas para o endereço da pedagoga, em Belo Horizonte. As peças estão sendo unidas umas às outras para a construção de um painel que deve completar 500 unidades.

Como participar

Interessados em expor ainda podem realizar a inscrição, ao valor de R$50. Para participar das oficinas, será cobrado o valor unitário de R$20. Mais informações pelos telefones (31) 9992-6884 e (31) 3334-6884 ou pelo e-mail fatitocoelho@yahoo.com.br.

Bazar maos que bordam

Relato de Fátima Coelho, professora de bordado há mais de 15 anos

A minha história com o bordado começou no berço, sou de família de bordadeira, minha avo bordava e fazia crochê, minhas tias e a minha mãe também bordavam. Sou da geração da revolução feminina, por isso queríamos trabalhar fora, estudar e nada de trabalhos domésticos artes manuais, nem pensar. Bordado era coisa de velho!

Formei em Pedagogia, casei, tive dois filhos, mas nunca deixei de trabalhar com artes. Era formada, tinha curso superior, trabalhava no consultório, chegava as vezes a trabalhar quase 10 hs. Era uma rotina meio louca casa, marido, consultório. Um dia o destino pregou uma peça, adoeci, fui proibida de trabalhar, repouso. Então o que fazer…os filhos na adolescência…

Minha mãe morava e ainda mora no apartamento acima do meu com as minhas tias, e foi justo uma delas, a minha madrinha, que vendo-me sentada sem poder trabalhar perguntou se poderia bordar uns paninhos para uma moça que ela estava apertada e não poderia bordar. No primeiro momento recusei. Depois resolvi aceitar. Comecei então bordar os tais paninhos que eram 50 que chegaram aos 150. Dali nasceu uma amizade com Rejane, a dona dos paninhos e o pedido para dar aula aonde ela fazia Patchwork, nesta época já estava curada. Como sempre recusei no primeiro momento depois de muito insistir resolvi aceitar, conversei com a proprietária do espaço e disse que assim que montasse a turma eu iria. A turma demorou a montar, um belo dia, Auxiliadora, dona do espaço disse que uma moça tinha procurado as aulas de bordado, mas só ela, ninguém mais. Resolvi começar assim mesmo e no dia marcado la estava esperando a aluna. Aparece então Marlete, alta muito bonita com uma toquinha de crochê na cabeça (ela estava fazendo quimioterapia – câncer no seio). Ao vê-la senti um carinho muito grande. Marlete foi a minha primeira aluna de bordado, bordava divinamente. Depois vieram Neuzinha, Rosangela, Rosalina e outras. Neste meio tempo resolvi que precisava fazer algo pelos outros, ajudar ao próximo e foi minha filha mais velha Lívia, que foi com o colégio conhecer uma instituição que recebia em regime de abrigo crianças carentes, a maior parte abandonada pelos pais, com paralisia cerebral.

Comecei a trabalhar como voluntaria, ou melhor a família inteira, eu, meu marido e meus filhos Lívia e Dacio. Conhecemos lá uma garotinha. Durante quatro anos trabalhamos como voluntários.

Hoje meus filhos estão formados e a família cresceu, há 8 anos adotamos a minha pequena, agora com 14 anos, falando, sendo alfabetizada.

Hoje trabalho com o bordado fazendo um resgate da memória afetiva, ouvindo muitas histórias e aprendendo com todas elas.

Fátima de Oliveira Coelho

Pedagoga e professora de bordado

2 comentários até agora.

  1. Vanilda Maria Pereira Barcelos 55 anos, sete lagoas says:

    Quero fazer aula de bordado com você. Como faço minha inscrição e o endereço

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